Hoje, depois de 7 anos, nos despedimos do Thomas. O TG, como carinhosamente é chamado aqui, foi transferido da SOLD para a ZUKERMAN. As despedidas fazem parte da vida empresarial, mas algumas “doem” um pouco mais...
O Thomas é um cara realmente ESPECIAL. Em muitos aspectos! Humilde, batalhador, carismático, do bem, honesto... Filho de um caminhoneiro com uma dona de casa, entrou na SOLD em 2011 como Assistente de Ti – posição de entrada no departamento. Gastava (literalmente) 5 horas do seu dia para chegar/voltar até/da empresa, divididas em 8 trechos: 2 de trem e 2 de ônibus, ida e volta. Saía de casa às 06h e voltava perto das 23h para ajudar nos afazeres domésticos. Um cenário infelizmente comum para muitos brasileiros. Assim que descobri isto, sempre que saíamos em horários próximos, eu oferecia carona para o TG de Higienópolis até Moema - o que gerava uma economia de 2 trechos e quase 2 horas – de maneira que ele chegava em casa próximo das 21h. Em pouco mais de 2 anos de SOLD, comprou sua moto e o tempo diário de deslocamento diminuiu para aproximadamente 1 hora e meia. Uma baita conquista!
Mas um pequena situação me marcou muito – e por que não, fez-me repensar o sentido da minha vida. Num happy hour algumas semanas depois que o Thomas entrou na SOLD, sentei-me ao seu lado para bater papo e conhecê-lo um pouco melhor. Fiz perguntas sobre sua família e seu cotidiano – ele retrucou com poucas indagações, provavelmente por ainda não se sentir tão à vontade. Lá pelas 9 da noite ele disse que precisaria ir embora, bem no “auge da festa”, com todos os colaboradores curtindo a música ao vivo, etc. Eu quis saber por quê ele não poderia ficar mais...
Reproduzo aqui o diálogo, sendo H (Henri) e T (Thomas):
H: Mas Thomas, você já vai? Estão todos tão animados!
T: Sim, amanhã (sábado) acordo cedo para trabalhar.
H: Nossa, trabalhando de sábado? O que você faz?
T: Dou aulas de informática.
H: Poxa, bacana. Até que horas?
T: O dia todo.
(Pausa)
H: Bom, pelo menos imagino que dê para tirar uma grana extra..
T: Não, não dá. É um trabalho voluntário que faço na Igreja, para crianças carentes.
H: (Pausa, suspiro... )Wow, que coisa linda. Parabéns pela atitude. Pelo menos no Domingo você dá uma relaxada!
T: Vou tentar, mas Domingo eu também dou as aulas. As crianças realmente precisam. Eu fico cansado, mas é por uma boa causa.
(Pausa, suspiros...)
Lembro-me como se fosse ontem desta conversa; de como meu olhos se encheram de lágrimas e de como eu quis ser o Thomas. Voltei aquele dia pensando o que eu, com todas as condições que Deus me deu, fazia de bom para o mundo. De quanto tempo eu dedicava a causas sociais e a fazer um mundo melhor. De como pequenas atitudes podem se tornar gigantes, não apenas pelo que elas representam, mas pela ótica sob a qual são enxergadas. A partir daquele dia, e até hoje, eu sempre que possível tento ser o Thomas.
TG, Todos da Família SOLD sentiremos tua falta. Teu carisma ficará marcado para sempre na nossa história. Na ZUK, você estará em excelentes mãos!
Obrigado de coração por tudo o que fez por nós, mas principalmente por ter me tornado uma pessoa MUITO melhor.
Um abraço com carinho,
HZ